Herpes-zóster no idoso: reconhecer cedo, tratar rápido e prevenir

15 de outubro de 2026

O que é o cobreiro, os primeiros sinais, o prazo de 72 horas, quando é urgente, a dor que pode ficar e a vacina.

Profissional de saúde aplicando vacina no braço de um homem mais velho

O herpes-zóster, que muita gente chama de cobreiro, é o vírus da catapora voltando à ativa. Depois da catapora, ele fica adormecido nos nervos por décadas. Com a idade, ou com doenças e tratamentos que baixam a imunidade, a defesa do corpo que o mantinha quieto enfraquece, e ele desperta. Estima-se que uma em cada três pessoas terá herpes-zóster ao longo da vida. O risco sobe a partir dos 50 anos, e as complicações ficam mais frequentes com a idade.

1. Os primeiros sinais

Antes das manchas vem a dor: ardor, queimação, formigamento ou pontadas numa faixa de um lado só do corpo. Em um a cinco dias aparecem manchas vermelhas com bolhas agrupadas nessa mesma faixa, mais comuns no tronco e no rosto. No idoso, a dor do início pode ser confundida com dor de coluna, do coração ou do estômago. Em imunossuprimidos, o herpes-zóster pode atingir mais de uma faixa ou se espalhar pelo corpo.

2. O prazo de 72 horas

O antiviral funciona melhor quando começa nas primeiras 72 horas depois que as bolhas aparecem: ele encurta a doença e alivia a dor. Viu bolhas em faixa, de um lado só? Procure atendimento no mesmo dia. Não espere as bolhas se espalharem nem a consulta marcada, e não use pomadas ou remédios por conta própria. Em quem tem a imunidade comprometida, ou quando ainda estão surgindo bolhas novas, o antiviral pode ser indicado mesmo depois desse prazo.

3. Quando ir ao pronto-atendimento

Bolhas no rosto, perto do olho ou na ponta do nariz, porque o olho pode ser atingido. Dor de ouvido com a boca torta ou dificuldade para fechar um olho. Febre alta, confusão mental ou sonolência. Bolhas em mais de uma faixa ou espalhadas pelo corpo. Nessas situações, e sempre em imunossuprimidos, vá ao pronto-atendimento sem esperar.

4. A dor que pode ficar

Em parte das pessoas, a dor continua por meses depois que a pele sara. É a chamada neuralgia pós-herpética, mais comum depois dos 60 anos. Ela tem tratamento: se a dor atrapalha o sono ou a rotina, fale com o seu médico.

5. Cuidado com quem está por perto

Quem está com herpes-zóster não transmite herpes-zóster, mas pode transmitir catapora a quem nunca teve a doença nem tomou a vacina, pelo contato com o líquido das bolhas. Mantenha as bolhas cobertas até virarem casquinha e, nesse período, evite contato próximo com gestantes, bebês e pessoas com a imunidade comprometida.

6. A vacina

A vacina contra o herpes-zóster não tem vírus vivo e por isso pode ser usada também por quem faz tratamentos que baixam a imunidade. São duas doses, com dois meses de intervalo, indicadas a partir dos 50 anos e, a partir dos 18, para populações específicas. Quem já teve herpes-zóster também deve tomar, depois que o quadro passar, porque ele pode voltar. Nos estudos, a vacina evitou cerca de 9 em cada 10 casos, inclusive depois dos 70 anos. Dor no braço, cansaço e febre baixa por um a três dias são comuns depois da dose. Hoje ela está nas clínicas privadas de vacinação; ainda não é oferecida pelo SUS, e a inclusão está em discussão no Congresso.

E quem nunca teve catapora? O herpes-zóster só aparece em quem já teve contato com o vírus. Na dúvida, um exame de sangue ajuda a esclarecer. Sem esse contato, a proteção é a vacina da catapora, que precisa ser feita antes de começar quimioterapia, imunobiológico ou corticoide por muito tempo. Quem já está em tratamento deve avisar o médico logo depois de ter contato com alguém com catapora ou herpes-zóster.

Onde o infectologista entra

Na fase aguda, o atendimento é no mesmo dia, com o seu médico ou no serviço mais próximo. O infectologista entra nos casos graves e nos que voltam, e ajuda a planejar as vacinas, de preferência antes de começar esses tratamentos. Atendo em Vila Velha e por teleconsulta. Agendamento pelo site.

Mão segurando uma cartela de comprimidos, representando a profilaxia pós-exposição
26 de setembro de 2026
O que é a PEP, quando é indicada, o prazo de 72 horas, onde conseguir pelo SUS e o que acontece no atendimento e nos exames seguintes, por um infectologista.
Mãos segurando um termômetro digital para medir a temperatura durante a quimioterapia
26 de setembro de 2026
O que conta como febre durante a quimioterapia, por que é urgência, o que fazer na hora e como reduzir o risco de infecção, explicado por um infectologista.
Médico anotando em uma prancheta durante a consulta, com o paciente à frente
25 de setembro de 2026
Exames de rastreio, ordem das vacinas, onde tomar sem custo e sinais de alerta: a lista de um infectologista antes da primeira dose de um imunobiológico.